terça-feira, 28 de abril de 2009

minha entrevista sobre a gripe suína / concurso cultural

Recebi anteontem da OMS a missão de criar um concurso cultural urgente, patrocinado pelos governos dos EUA, Méhico, Israel e Emirados Árabes. A peça desenvolvida consistia em incentivar o envio por SMS (teclando H1N1 ao custo de R$1,40) ou email, um novo nome para a gripe suína. Como prêmios, viagens aos respectivos países, máscaras, remédios e muito mais.

Nem preciso dizer que a promoção ganhou proporções jamais imaginadas e eu, agora, sou dado como especialista no assunto.

Segue a entrevista concedida hoje pela manhã a um importante veículo de comunicação de massa:

JD - COMO SURGIU A IDÉIA DA PROMOÇÃO?
GL - Funcionários da OMS e do governo norte-americano nos chamaram e disseram que gostariam de abandonar o termo "gripe suína" por entender que ele está confundindo as pessoas, fazendo com que acreditem que a doença possa ser adquirida pelo consumo de carne de porco, o que é incorreto.

JD - MAS HÁ UMA FORMA MELHOR DE DESCREVER A DOENÇA SEM LEVAR AS PESSOAS A TOMAREM INICIATIVAS INCORRETAS?
GL - Sem dúvida. As milhares de respostas criativas que recebemos em um único dia são prova disso.


JD- O SENHOR PODERIA CITAR UM EXEMPLO?
GL - Uma que gostamos muito foi "Gripe Asteca". É sutil, pois remete às raízes dos mehicanos, ao par que também lembra bisteca. Parabéns a todos.

JD - OS CIENTISTAS JÁ DESCOBRIRAM QUE A GRIPE É DE UMA CEPA NUNCA VISTA ANTES, UMA MISTURA DOS VÍRUS SUÍNO, HUMANO E AVIÁRIO, É VERDADE?
GL - é o que tudo indica até o momento, deve ter sido uma festa e tanto. Mas não posso fornecer mais detalhes, me desculpe.


JD - OS GOVERNO DO ORIENTE MÉDIO TAMBÉM ESTÃO RECLAMANDO BASTANTE, DIZENDO QUE ESSA DOENÇA É UMA OFENSA À SENSIBILIDADE DE JUDEUS E MUÇULMANOS. SUGERIRAM INCLUSIVE QUE A DOENÇA PASSE A CHAMAR "GRIPE MEXICANA". COMO JUDEU, O QUE O SENHOR TEM A DIZER?
GL - Verdade, eles fazem parte do pool que contratou nossa empresa. Imagine um rabino ou um mulá contaminados pelo vírus do porco. Não é kosher, eles tem razão. O problema é que se, por outro lado, chamarmos a doença de "gripe mexicana", a mesma rejeição ocorrerá por parte dos americanos. E ainda, se batizarmos de "gripe americana" ou "gripe yankee", todos os árabes vão querer pegar a doença e morrer como mártires e aí a contaminação fugirá por completo do nosso controle. É uma situação delicada, daí a importância do nosso concurso. Quanto à segunda parte da pergunta, como judeu só me ocorre dizer uma coisa: shalom!

JD - O DEPTO DE SEGURANÇA INTERNA AMERICANO SUGERIU CHAMAR A GRIPE PELO NOME CIENTÍFICO, "SURTO DE GRIPE H1N1". O QUE O SENHOR ACHA DISSO?
GL - H1N1??? Vão ler Hini, que lembra rim, rinite... até rino, que remete a rinoceronte. É um erro grave. Nomes científicos só servem para confundir a população. Ainda mais sob essa influenza de h4ck3rs, com letras e números juntos. Verdadeiros cocôs.

JD - ESTAMOS DIANTE DE UMA PANDEMIA? NÓS VAMOS MORRER?
GL - Pandemia eu não diria. Eu diria pindemia. Com pin. Ou enpindemia, como todos chamam. Quanto a morrer, sim, eu acho que talvez já possamos afirmar com 100% de certeza que todos nós em breve iremos morrer. Bom dia.

E aí? Mandei bem? Mande sua opinião, além da sugestão de nome para a gripe suína por SMS (digite H1N1) ou por email. Participe da promoção, prêmios incríveis! Viagens, máscaras e tamiflus aos primeiros colocados.

Valeu porcada! Cuidem-se.

novo grafitti - A ETERNA ESPERA

Session 28/04/2009
Planalto Paulista/ SP
"A eterna espera por uma coisa qualquer"


Prefere o cinza?

Fio dental agora é obrigatório em Santos

Já que linguiças não transmitem gripe suína, vamos à notícia que nos afeta:


FIO DENTAL SE TORNA OBRIGATÓRIO NAS PRAIAS DE SANTOS.




Calma, vó. Pode desatolar a fralda. A lei que acaba de ser sancionada apenas obriga restaurantes e lanchonetes a disponibilizarem um dispenser do dito cujo nos banheiros.


Segundo o vereador que teve a idéia, palitos são anti-higiênicos pois, manuseados por funcionários e clientes, facilitam a proliferação das bactérias causadoras de endocardite e periodontite. Deveriam ser usados somente para pegar azeitonas e não para cutucar a genja.


Discordo. Palitos servem para mileoutras coisas. Eu mesmo já cansei de ganhar cerveja com eles.

1. equilibrando 2 palitos (um sobre o outro) na boca de uma garrafa + 2 garfos sobre os palitos. E balançando a mesa (vou publicar uma foto, aguardem);

2. prestando a minha homenagem particular ao avião tucano da FAB. Um truque simples, que consiste em girar um palito na ponta do nariz com um leve sopro tangencial projetado pelo lábio inferior. Até minha filha de 4 anos sabe fazer. Aprendeu com o pai a beber de graça, hein! (vou publicar o video também, aguardem);

Ok, palitos são escrotos às vezes. Eu mesmo já arranquei bifes de meses atrás das minhas panelas. No entanto, quantas vezes também pude demonstrar meu respeito à natureza e ao dono do bar, colocando os palitos de volta após o uso? Às vezes foi só uma limpadinha de unha. Se todos pensassem assim, o mundo seria mais solidário e mais verde. Um lugar melhor com certeza.

Agora, cá entre nós, tem coisa mais feia que assistir alguém colhendo couve por entre os molares? E as gatinhas que colocam a mão à frente do palitâmes? Tréz-chickens, costuma dizer um amigo boqueteiro. Botequeiro, aliás.

Só sei que na hora da fome, nada mal descobrir que a solução muitas vezes está mais perto do que você imagina. Bem ali na sua boca. Ou vai dizer que nunca comeu um suculento Teeth-Bone na vida?!

Eu adoro.


Obs - Fiscais santistas, sejam bem-vindos ao Grandslanches. Nosso dispenser já está à disposição. Fica junto ao mictório. Sirvam-se.

ps- dedicado ao meu amigo paulo renato palito.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Novo grafitti - TRÉPIDOS

Session 20/04/2009 .
Vila Mariana/SP
"Trépidos Sobscolta".

terça-feira, 14 de abril de 2009

o X do exemplo.

O mundo pode. O exemplo não pode.


Para se dar bem na vida, ou você é um talento ou trabalha pra cacete.

Michael Phelps e Usain Bolt são bons exemplos: dois talentos que trabalham pra cacete.

Eles nos devem desculpas.
Eles fumam maconha.

Michael Phelps come 15 ovos, 2 kg de macarrão e 2 pizzas inteiras. Todos os dias.
Usain Bolt come 6 kg de carne suína, 10 ovos, 20 batatas e 1 bolo de creme. Todos os dias.
Eles devem desculpas por isso?
Eles podem. Eles queimam tudo. Mas queimar, eles não podem.
Ninguém vai comer tanto para seguir o exemplo. Mas fumar depois de vê-los fumar, todos nós vamos. Claro.
Obesidade é hoje a maior causa de morte nos Estados Unidos.
Mais que a violência. Mais que todas as drogas juntas.
Todo filme americano tem café da manhã regado a bacon frito. Isso pode.
Pedido de desculpas... nem ao porco.
Na Jamaica, maconha é religião. Usain Bolt é jamaicano. Usain diz: "na Jamaica, maconha é religião". Qualquer jamaicano pode. Marley pode. Usain nao pode. Usain é exemplo.
Dois talentos raros. Dois trabalhadores. Dois vencedores. Dois exemplos. Dois coitados.
Hipocrisia pode? Deve.
Pode? Não pode.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

dois comerciais incríveis...

... e tristes, sobre o tema "violência".

O primeiro, que nem está no ar ainda, é da Grey London para a organizaçao Women's Aid - com Keira Knightley e direção de Joe Wright (o mesmo de "Desejo e Reparação").
Visto no Bluebus.


(tradução: Já não está na hora de alguém gritar "Corta" ? )


O segundo já é mais conhecido. Mas sempre é bom lembrar. Crianças vêem, crianças fazem.

Preconceito, abuso de força, violência. Mas o mais triste é saber que se alguém fosse capaz de inventar algo pior, não faltariam adeptos.

quarta-feira, 25 de março de 2009

coisas que eu, o lasse e o woody allen temos em comum

3 judeus devotos da santa edit!

(espere até começar a parte do piano!!!)

Pra mim, é mentira que ele não toca nada. Mas...

CLARE, A ILUMINADA

Você certamente já ouviu falar a respeito daquele "melhor emprego do mundo" - ser o zelador de uma ilha deserta paradisíaca por 6 meses, alimentando baleias, escrevendo um blog e publicando fotos na internet, com direito a casa e buggy, por um salário de US$ 150 mil.

Delícia, né!

Essa é a Clare Wang, a primeira finalista. Divertida, simpática, bonitinha.



Mas não estranhe se no blog ela escrever apenas "all work and no play makes clare a dull girl"


terça-feira, 24 de março de 2009

URBAN CAMOUFLAGE AGAINST CRIME


Pro ladrão é só um jornal dobrado. Pra você, uma bolsinha cool!

Legal, né? 60 dólares. Design mite mite (http://www.mitemite.com.es/).

sexta-feira, 20 de março de 2009

pra fechar a semana

Bom, já que o grandslanches está de volta... mais um video lindo. Maravilhoso. Pra fechar a sexta feliz, em paz, com esperanças de uma semana melhor. Até segunda.


Ah! Esse video eu também "furtei" do blog da agência Fala! (www.agenciafala.com.br)
Valeu, Augusto.

quinta-feira, 19 de março de 2009

animal

8 minutos inacreditáveis.

Eleito pelo youtube o melhor video amador de 2007.

"Battle at kruger".

Confira.

vicio maldito

Stakeholder não precisa de cardiologista. Stakeholder tira um eletro a cada 15 minutos no site da bovespa. Ou será que só eu andando por lá me matando aos poucos?


divirta-se. www.bovespa.com.br

quarta-feira, 18 de março de 2009

blog do marcio

Conheci o marcio através do meu primo. E o marcio de repente passou a mandar notas para uns sites, até que foi convidado pela adidas para compôr o blog deles: blogoriginals.com.br

Puta blog, muito legal. Dá até para "furtar" umas referências e disponibilizar aqui pra você.

Primeiro furto: o designer francês Michel Place dando um show com tinta preta, um corretor Pritt (vulgo "branquinho") e mais uns poucos elementos. Eu chorei com o talento do cara.



Furto 2: um curta italiano maravilhoso, todo feito em photo-motion (ou stop-motion, segundo o marcio).

Eu tinha uma vespa igualzinha à do filme, só que verde água com os bancos brancos, linda, italiana... que eu acabei dando de presente pra Fê Barroso, que acabou deixando pro ex-marido, o Laido, que eu também conheci através do meu primo e também é amigo do marcio...

Saudade da minha vespinha... e que roteiro do caralho, olha só.


Notte Sento (English subtitles) from napdan on Vimeo.


Furto 3: outro photo-motion, dessa vez com trilha e direção do Oren Lavie, um cara que eu já conhecia mas tinha esquecido.



Enfim, 4 trabalhos lindos. Os 3 acima e o blog do marcio, a fonte que reúne tantos outros.

Blogoriginals.com.br

Chegando lá, manda o meu abraço pro cara, tá?

hakani

Na língua dos suruwaha, tribo intocada da Amazônia, Hakani significa "sorriso".

Nascida em 1995, filha de uma índia Suruwaha, nos primeiros dois anos de vida Hakani não se desenvolveu como as outras crianças – não aprendeu a andar nem falar. O cacique então começou a pressionar os pais para matá-la. Incapazes, preferiram o suicídio, deixando ela e seus 4 irmãos órfãos. A responsabilidade de sacrificar Hakani passou então para o irmão mais velho, que a-enterrou viva, conforme a tradição, numa cova rasa. O choro abafado de Hakani podia ser ouvido enquanto ela sufocava debaixo da terra.

Em muitos casos, esse choro dura horas até cair finalmente em silêncio profundo, mas para Hakani, esse silêncio nunca chegou. Alguém ouviu seu choro, arrancou-a da cova e colocou nas mãos de seu avô, que por sua vez levou-a para sua rede. Mas, como membro mais velho da família, ele sabia muito bem o que a tradição esperava dele.

O avô de Hakani tomou seu arco e flecha e apontou para ela. A flechada errou o coração, mas perfurou seu ombro. Tomado por culpa e remorso, atentou contra a própria vida, ingerindo uma porção do venenoso timbó. Hakani sobreviveu.

Tinha apenas dois anos e meio de idade, mas vivia como uma amaldiçoada. E sobreviveu bebendo água de chuva, mascando cascas de árvore, folhas, insetos e, ocasionalmente, algum resto de comida que seu irmão trazia. Até que, aos 5 anos, pesando 7 quilos e medindo 69 centímetros, um de seus irmãos a-levou até a casa de um casal de missionários.

Seis meses depois, Hakani já andava e falava. Mais 6 meses e seu peso e altura simplesmente dobraram. Hoje Hakani tem 12 anos.




A história de Hakani tornou-se um documentário. Logo abaixo, o trailer. Não assista se você é daquelas pessoas que passam mal. As cenas são fortes.



Mesmo sendo um documentário, as cenas dos "enterros" não são reais. São simulações feitas com bolo de chocolate esfarelado. No entanto, todos os índios do casting são sobreviventes desses rituais, ou então salvadores que correram o risco de morte para salvar seus irmãos, filhos, netos ou primos.

Se quiser saber mais ou fazer algo, acesse www.hakani.org

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

homens-mola

Cara, eu tô em débito com você. Não frequento mais meu próprio blog porque estou enfrentando como quase todo mundo essa crise braba mas... isso não é desculpa pra te abandonar, afinal, não é fácil conquistar pessoas qualificadas como você, e mesmo que essas pessoas sejam apenas uma, eu deveria fazer o póssível pra te trazer aqui de volta amanhã, depois de amanhã, depois e depois e depois.

São 2 videos. Eu piro. Espero que arranque o teu sorriso nessa breve fuga. Abraços, bejos, té amanhã.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

ultimo post de 2008

Resolvi deixar uma última dica ou referência aos que gostam de arte nova: a obra genial de um grafiteiro que assina "blu" e que na minha opinião consegue manter sua frequência no topo e assim, ser tão brilhante quanto o Banksy.

Ele faz seus grafittis em muros (espalhados por todo o planeta), apaga, refaz, fotografa a sequência e edita, transformando seus painéis em animação. Genial. Para conhecer outros trabalhos desse cara, a página dele é: www.blublu.org

Segue abaixo uma amostra. Abs e tchau!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

MEIA-DEVOLUÇÃO

Em meio à comoção provocada pelas enchentes de Santa Catarina e após o escândalo de que soldados e "voluntários" estavam furtando o que encontravam de melhor entre as doações, um agricultor de Santa Catarina que teve a casa devastada pelas águas encontrou - e devolveu - 20 mil reais que estavam no bolso de um casaco de pele doado na semana anterior.



Já a pele não foi possível devolver ao dono original.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

100 MILHÕES QUE NÃO VALEM NADA

Quem aqui já teve a chance de rir na cara de 100 milhões de dólares? Quem já tomou cerveja ao lado de US$ 100 milhões? Quem aqui já viu US$ 100 milhões zanzando de um lado pro outro, pelado, falando merda?

Eu encontro esses 100 milhões toda quinta-feira na sauna. Quer dizer, dizem que ele tem 100 milhões. Sempre com uma toalha nas costas e só. Seu nome, Francisco, Felipe, Federico, Felizardo, Fred, Ferênzi... qualquer um que comece com F. Mas entre amigos, gosta mesmo é de ser chamado de Fere.


Fere esteve em Nova York dias atrás para um casamento. Na chegada ao hotel, se recusa a pagar 120 dólares num quarto - mesmo que esse valor fosse dividido com um sobrinho. Prefere pagar 89 e dividir a cama. O sobrinho argumenta, diz que não vale a diferença. Fere é ranzinza, grita, cospe, dá vergonha. Conseguem uma cama de viúvo no térreo por 60.


Fere está cansado da viagem. Ele deita e dorme. Ronca na ida e na volta. Flatula trovões. Às 4 da manhã, grita na orelha do sobrinho:
"ACORDA! NO VALE NADA VOCÊ".


Antes do casamento, Fere vai visitar um fornecedor indicado. O sobrinho fica na rua esperando. É um prédio velho sem janelas. O fornecedor observa o grandpa, cumprimenta, esfrega as palmas, ri por dentro. Oferece um lote de 100 rolex originais com 5% de desconto sobre o preço de atacado. Fere negocia, quer 50%. O sobrinho já o-aguarda por mais de 2 horas. Fere consegue 35%. Pede uma amostra pra fechar negócio. Amostra de rolex??? A resposta é não. Então a ameaça: "NO AMOSTRA, FERE GOOD BYE, HÃ? ". Já na escada, ganha seu mimo de 7 mil dólares. Diz que vai mostrar aos sócios. Fere não tem sócios. Joga o cartão do fornecedor no lixo, não volta nunca mais.


De rolex novo, encontra o sobrinho fumando na rua. Esbofeteia o garoto e grita: NO FUMA IDIOTA LOKO VOCÊ !!!! Então voltam para o hotel e se preparam para o casório. Fere não toma banho. Troca a velha lacoste por outra igual, comprada em lote na 25 de março. Passa Contouré no papo e no saco. Fere está pronto.

Voltam às 2 da manhã. Às 5, Fere já está no saguão do hotel fechando a conta.

- 60 dólares + taxes.
- TAXI? QUEM PEDIU? FERE NO ANDA TAXI. NO VALE NADA TAXI AQUI. TÁ LOUCO VOCÊ? FERE GOOD BYE, HÃN!

Ele sai sem pagar. O sobrinho acerta.


Na volta ao Brasil, é identificado pela alfândega e chamado à polícia federal. A delegada começa:

- Pelo passaporte... qual seu nome mesmo?

- Que nome acha meu?

- Eu tenho aqui Felipe, Federico, Felizardo...?

- Esse primeiro Felipe tá bom.

- Sr. Felipe, o senhor é acusado de falsidade ideológica, contrabando, interceptação de mercadoria roubada, falsificação de documentos, tentativa de suborno, formação de quadrilha, agressão...

- No fala isso...

- O senhor faz o que da vida?

- Ieu??? Como?

- O senhor vive de quê?

- De que?

- Quanto o senhor ganha?

- Nem minha mulher sabe. Mulher nenhuma, nunca!

- Desse jeito o senhor vai preso, seu Felipe... tem medo não?

- Medo? Que isso, medo?


E o que é isso, medo, para um homem que sobreviveu por 4 anos aos piores campos de concentração da alemanha nazista?


O sobrinho do Fere também frequenta a sauna às quintas. É um gordinho comédia. Chama o tio de "essa merda", quer que ele fume maconha ali mesmo na frente de todo mundo. Fere ri, pede uma cerveja, pepino azêdo, hômus lotado de cebola, diz que é pra colocar na conta de alguém. Aponta um. Ele não está brincando, o sujeito paga. Chega mais um sócio e o sobrinho diz todo orgulhoso: "Tio, eu e esse cara... a gente já comeu a mesma mulher ao mesmo tempo. Uma só e nós dois juntos".

E o Fere responde no ato, com seu sorriso molengo e infantil:
ENTON VOCÊS SON CUNHADOS!

Nessa hora alguém saca um celular e tira uma foto do Fere. Ele gosta, pede pra ver, pede agora pra tirarem uma foto do pau dele. Ri, brinca, xinga e se diverte como em toda quinta. Toma cerveja e não paga uma sequer. Vai embora de carona, não tem carro, não paga taxi. Um cara incrível, lúcido, astuto, malandro. Figura raríssima e deliciosa. Nem parece alguém com 100 milhões de dólares na conta. Mas é o que dizem.

Eu digo outra coisa: esse Fere não vale nada!


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

UNIVERSAL STUDOS

Cientistas alemães anunciaram hoje que...
... matematicamente falando, pode-se deduzir que...
... no centro da via láctea há um imenso buraco negro.

Um buraco que suga tudo, inclusive luz.
Por isso, na foto acima, onde deveria estar escuro - visto que é um buraco negro - está claro.
O nosso buraco negro tem massa equivalente a 4 milhões de sóis do tamanho do nosso.

E o sol tem massa equivalente a 333 mil planetas Terra.

Logo, nesse rombo cabem 1,33 trilhões de planetas Terra.

Considerando-se que o planeta hoje abriga 6,477 bilhões de pessoas...
...no nosso buraco negro caberiam fácil uns 8,614 bilhões de trilhões de gente como a gente!


Quando eu era criança e vi pela primeira vez a imagem
de uma galáxia, achei que aquilo era um ralo. E não é que é!

O que me leva a crer que eu acabo de descobrir uma nova galáxia.
Bem aqui na frente do Grandslanches.


E eu te batizo Via Mérdea.

Pode chegar, cabe todo mundo!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A CAMPANHA DE FALSAJUDA A STA CATARINA

O natal chegando, uma tragédia entre nós, as tvs, rádios e o público sedentos por sangue. Cenário perfeito.



Aí, por mais de uma semana, o jornal nacional e os demais deixam de lado a crise mundial e passam a dedicar todo seu esforço ao caos catarinense, pedindo doações e mostrando "a generosidade do povo brasileiro, tão pobre e tão solidário".

As emissoras mesmo nao doaram um caralho.

Então as celebridades começam a capitalizar.
O tenista bondoso, milionário, visita bombeiros e vítimas. Não doa nem uma bolinha. Mas pede doações.

Aí a modelo famosa, milionária, diz que a família toda é de lá, os amigos. Ela aparece na TV falando ao telefone com a mãe. Choram juntas em rede nacional. A gata não doa nem uma calcinha borrada, mas pede doações.

Então vários atores e atrizes e apresentadores começam a fazer o mesmo, pois viram que dá certo, valoriza o passe. Pedem doações e o povo doa. De preferência na frente das câmeras.

Clubes (milionários) de futebol não doam nem uma bola furada, mas viram postos de arrecadação.

Empresas emprestam caminhões, já é alguma coisa. Mas pedem que os funcionários doem parte do salário mínimo, comida, roupa. Eles doam de coração, porque sentem a dor alheia na própria pele. Poderia ter sido o morro deles, a casa, a família deles.

Construtoras se mobilizam. Pedem que os funcionários doem roupas, papéis higiênicos, comidas prontas, parte do décimo terceiro. Mas elas mesmas não doam nem um tijolo.

E as escolas particulares... nem um toco de lápis. Mas capitalizam: entram na disputa de quem arrecada mais, publicam notas em suas newsletters e malas-diretas, aproveitam o chamariz e criam uma promoção: "faça aqui sua doação e ganhe um desconto na matrícula".

Pilotos de fórmula 1, milionários, doam seus capacetes para leilão, pois tem sempre alguém disposto a pagar por eles. Ainda é pouco. Então um deles abre a carteira. Doa 50 mil e promove com alguns colegas a "corrida das estrelas". E pilotam felizes, envoltos em carenagens abarrotadas de patrocinadores que pagam mais de 50mil para estar ali, associados à causa e aos campeões. Mas o que vai para os desabrigados é apenas o arrecadado junto ao público, que lota as arquibancadas e assiste ao festival de ultrapassadas e derrapadas e xingamentos entre os bons vivants bonzinhos que depois da festa ainda ganham troféus. Que lindo.

E os jogadores? Por mais ignorantes que sejam e serão sempre, esses são verdadeiros bloodhounds na arte de farejar oportunidades. Eles saíram da merda há pouco, sabem o que é a vida mísera e assim como o mootley, precisam fazer alguma coisa. Começam declarando a quem quiser ouvir e filmar que não custa nada ajudar. Verdade. Aí fazem um jogo beneficente. E patrocinado. E revêem os amigos, batem uma pelada, são aplaudidos e ainda correm o risco de ser nomeados embaixadores da unicef. Para a torcida tá ótimo: sai mais barato doar 1 lata de sardinha que pagar ingresso. E tudo pela nobre causa de estancar a dor alheia.

Aí o estado afogado começa a gritar:

"pára de doar! não tem mais onde guardar essas merda toda! Pára!!!"

A chuva continua. Uma lama grossa e rubra segue jorrando em nossas telas high definhetion. O brasil solidário e generoso quer sangue.

E por falar em sangue. Alguém lembrou de pedir? Alguém pensou em doar?


CASACO DE PELE. CIRCO COM ANIMAIS. SAPATO DE COURO. CHURRAS.

Lá em casa nós não somos vegetarianos. Ainda não conseguimos e o nosso consumo de alimentos de origem animal (morto ou vivo), apesar de mínimo, ainda ocorre. Damos preferência a peixes do mar, iogurtes e ovos, mas isso não justifica nem diminui nossa culpa. De todo modo, não usamos pele além das nossas próprias. E criticamos quem o-faz.

Hipócritas então?

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Resolvi escrever porque ontem, numa zapeada básica, me deparei com aquele Ronaldoéisper elogiando os trajes de uma puta qualquer que usava um casaco de visom. Então aquela jaquicúri se manifestou. Mas por falta de argumentos calou-se em seguida, perdendo assim uma chance enorme de justificar sua presença na TV defendendo algo maior que a sua bunda, seus peitos, seus dentes e mostrando que não é só mais uma vagaBBBa.

Segue o diálogo (e acreditem, essa foi a íntegra):

éisper: - "Olha ela de visom... xiquérrima!"
jaquicúri: - "ôpa! ela esta usando casaco de pele animal! eu não uso pele animal! não usem pele!"
éisper: -"aé? então você não come vaca? você não come porco? você não come galinha? É tudo a mesma coisa, eles são feitos para morrer, tem nada demais, tem que usar pele sim porque é xíque!"

E pronto, acabou o diálogo.

Mas não deveria.

Usar pele não é chique. É cruel. Nós humanos subjulgamos todas as demais espécies, crendo que foram criadas para nos servir. Que são espécies inferiores.

Não existe matadouro ou frigorífico que ofereça uma morte digna a animal nenhum. Nem os kosher. Confinados, os animais tem sua musculatura atrofiada. Recebem uma alimentação pobre, cheia de hormônios, apenas para o engorde. Recebem choques elétricos. Têm as patas e cascos feridos. Os olhos vazados. São marcados com fogo. Mortos à marretada. Têm as tripas, couro, orelhas, chifres arrancados ainda em vida - muitas vezes diante das crias ou de outros da mesma espécie, para que sejam testemunhas oculares de seu próprio destino. Enquanto isso os algozes se divertem. Exatamente como faziam os nazistas.

Pra você que discorda ou quer saber mais sobre o assunto, segue a primeira parte do filme "Earthlings", ou "Terráqueos", em versão legendada para o português. Assista e chegue às suas próprias conclusões.

Earthlings - Parte 1



É isso. Se você é carnívoro,seja, mas seja também ao menos contra a crueldade humana. Não use pele, não compre nada de marfim, nem bichos empalhados, nem animais silvestres vivos contrabandeados, nada. Não apóie circo com bichos. Nem com pôneys nem com cães. Circo é lugar de gente e só.

E quanto à jaquicúri... é verdade, ela tentou. O certo é que faria mais efeito se ela virasse uma daquelas ativistas vestidas apenas com um cartaz à frente da boca.

É pouco pra ela? Ok, faça uma PETA.

sábado, 29 de novembro de 2008

FESTINHA DE SEXTA

Imagina que no meio da tarde chega um torpedo passando o endereço e a hora da festa de 30 anos de um dos teus melhores amigos. Você já sabe que será uma festa para poucos (porque nenhum de nós é cercado por muitos), mas todos gente boa, galera tranquila, parte da maioria. Turma normal.

A gente chega e o lugar não tem nem nome, só dois negões vestidos de branco, separando os vips dos não. A gente é da turma dos não, mas com nome na lista a gente entra.

O som tá bom. Vem de uma dupla de DJs que toca sem qualquer pretensão, pose ou mega-equipamentos. O lugar é simples, interessante. E a gente dança. Cheirão de maconha na pista. Não dá pra saber de quem é, todo mundo sorri. O lugar começa a encher. Encontro uns amigos das antigas, da época da faculdade. Reconheço alguns, sou reconhecido por outros. Não me sinto peixe fora d´água. Nem transpiro aos tubos. Tô legal. E a Fê, com os olhos ardendo do cigarro dos outros. Chorando e dançando.

Observo os que eu não conheço. Escuto o papo de alguns. Dois às minhas costas deduzem que "aquele ali deve ser hétero". Outros se perguntam entre si: "neogamas?" "Não, lewlaras".

Gays e publicitários por todos os lados. Os publicitários em maior número, são muito mais gays que os gays. E o Rô ali, curtindo. O dono da noite.

O Rô é meu brother do skate, do grafitti, de tudo. Meu brother de verdade. É o marido da Paulinha, japinha querida e maravilhosa, leitora n.3 desse blog e 200% responsável por trazer a mulher da minha vida pra bem perto de mim.

E o dj da festa... um francês. Por isso tinha tantos franceses na festa.

Não é um dj famoso. Só um cara de passagem pela cidade, promovendo seu filme "Be Kind, Rewind" - que estreou ontem mesmo em São Paulo. O mesmo cara que escreveu, dirigiu e ganhou o Oscar de roteiro com o filme "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças", com o Jim Carrey. Michel Gondry.

Ele também não era vip. Nem a gente. Só o Rô, a Paulinha e o tostex de mostarda com raíz forte, igual ao que eu comia na suiça e nunca encontrei por aqui.

Vip vaporub.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

YURI

O Yuri é um amigo de longa data. Nos encontrávamos aos sábados, durante 1 ano, num movimento sionista chamado Chazit. Eu deixei de ir porque, ao final desse 1 ano, só ele e a minha prima Carla gostavam de mim. Então ele voltou pra Israel e minha prima... ela eu podia ver sempre, não precisava de um movimento sionista pra isso.


Desse tempo, a lembrança boa que ficou foi desse amigo, o Yuri. Um cara como poucos. Não por ser meu brother porque a gente nunca foi tão próximo assim, mas porque minha experiência em grupos sociais diz que são raros os caras que, mesmo já enturmados, aceitam um tipo estranho - questionador, agressivo, punk - com um sorriso largo e os braços abertos.


Isso faz 22 anos. E essa semana eu soube do cara. Soube que ele mudou muito - inclusive tá a cara do ahmadinejad - mas não perdeu a essência. Voltou de Israel, tá morando em Foz do Iguaçu e continua cedendo espaço aos que não têm, deixando que se mostrem. O Yuri nunca hesitou em defender o que para ele é certo. Mesmo que por isso, ele pague o preço de brigar com sua velha turma original.







terça-feira, 25 de novembro de 2008

TECNOLOGIA GALINÁCEA

Quem de vocês, urbanóides, já tinha se dado conta de que uma galinha em movimento consegue manter a cabeça sempre estável, ou seja, livre de tremidas e saculejos???

A explicação é que o pequeno cérebro das galinhas reage de maneira instantânea a movimentos de inclinação, velocidade, altura e direção, compensando-os imediatamente.

Trata-se portanto do mesmo princípio utilizado em dispositivos eletrônicos de estabilização de imagem adotados por toda e qualquer nova câmera digital. Só que esses dispositivos estão longe de funcionar bem como uma galinha. Até mecanismos profissionais, como as steady-cams, não são tãããão bons assim. Nem botam ovos.

Esse é o cara que percebeu o fato. Ou ao menos, o primeiro que associou a galinha à tecnologia de estabilização fotográfica. Se ele tivesse colocado uma câmera acoplada à cabeça da galinha... mereceria o prêmio ignobel com certeza! Acho até que ainda merece. E você, o que acha?



Se ele fosse o Steve Jobs, sabe qual seria o nome dessa descoberta? Mc Chicken!!!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

SOU UM NACHSON E ESTOU AFUNDANDO, MAS ACHO QUE MEREÇO UM CÉU DE ESTRELAS (e aposto que alguns ets são meus patrícios!)



Sexta feira, por qualquer motivo, me deparei com essa frase: "Deus se revela o tempo todo por sinais muitas vezes despercebidos". Seria ela própria um... sinal?


A ALMA IMORAL

Nessa mesma sexta, fomos eu e a fê assistir a peça A ALMA IMORAL, no teatro da livraria cultura. Um monólogo da Clarice Niskier com texto do rabino Nilton Bonder. Programa imperdível, que me pegou de jeito - em especial nesse ponto:


Na saída do Egito, Deus falou a Moisés: "Diga ao povo que marche". E os judeus, perseguidos pelos soldados do faraó, marcharam. Até o Mar Vermelho. Só que dali pra frente não tinham mais como passar. Ali o povo parou, porque o mar NÃO abriu. Viram-se subitamente divididos em 4 grupos: os que queriam voltar, os que queriam lutar, os que queriam ficar ali esperando e os que estavam dispostos a se atirar no mar e morrer.


Moisés apenas repetia: "Marchem!".

Então um homem, Nachson ben Aminadav, confiou e marchou. Quando a água já estava na altura do seu nariz... só então que Deus, impressionado com a fé e coragem daquele homem, fez o mar abrir.


E por que isso me pegou? Porque ultimamente eu vinha me sentindo membro daquele clube de gente que vive enfiada na bosta, só com a boca e o nariz pra fora, pedindo:" galera, não faz marola..."

Só que aí eu resolvi ser o Nachson. Eu resolvi marchar.


PLANETÁRIO

No dia seguinte cumprimos uma promessa antiga e levamos a Maia para conhecer o planetário. Ela adorou. E a gente...

Bem que eu queria estar apto a escrever algo sobre os exoplanetas, as anãs marrons e tudo o mais que vimos e aprendemos. Mas ainda não estou. Por enquanto, minha marcha está só começando.

Mas já posso concluir que eu acredito em extraterrestres. Também acredito em Deus. E aposto que Deus é um extraterrestre. E intraterrestre também, pois em todo universo ele é onipresente. Porque a lei é sempre a mesma.

Ao separar o céu e a terra, Deus criou a física. Esse é o princípio.

Apesar de não conhecer nenhum et, tenho certeza que muitos concordam comigo. Muitos aliens devem ser monoteístas. Por que? Porque o universo não pode ter surgido do nada, porque na natureza não há geração espontânea. E se o universo começou em algum momento, foi idéia ou obra - ou milagre - de alguém. Desse alguém que inventou a lei universal. A que rege tudo e que dela não se tem como fugir, apenas entender e, porque não, explorar.

Nosso planeta é só uma pequena parte de um pequeno sistema de uma pequena galáxia. Mas a lei e os padrões são os mesmos em todo universo.

Enfim,

Se você acha que a sua família merece um céu límpido e maravilhoso, repleto de estrelas, planetas e galáxias brilhantes, mesmo num dia poluído e chuvoso, o planetário é outro programa imperdível. E baratinho! R$5 por cabeça, crianças e aposentados pagam R$2,50. Portão 2 do Ibirapuera, em 3 sessões aos sábados e domingos. É ciência pura. E é divino.

(enquanto isso... uma chuva estranha e fortíssima castiga ao mesmo tempo São Paulo, Rio, Sta Catarina, Fort Lauderdale, Cuba, St.Marteen, Indonésia, Kuala Lumpur, Key west, Paris... alguém sabe que horas vai pousar a próxima arca de noé?)

à propósito, o Planetário está maravilhoso. Parabéns, Cyrela, pela reforma incrível doada à cidade de SP. E parabéns à prefeitura que o equipou com os melhores e mais modernos projetores... do planeta!)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

6 COMERCIAIS RECENTES QUE EU AMO

Bonjovis. Maravilhoso.



Tomsellecks. Brilhante.



Cat with a pipe. Adoro!



Albinos!



Gorilla.



e para encerrar, Airport Trucks.



Enquanto isso aqui no Brasil... uma pior que a outra e a galera cantando de galo.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

MARIJUANA, O XTOMATLE DO SOLANA.

O mundo tem 206 milhões de maconheiros. Eu diria 206.000.001. Seja lá. Dado doido esse, não?

E você, qual é a tua opinião? Pra você, maconheiro é tudo emaconhado, ou será que você é filho adotivo de Jah? Então vou te contar uma história mucho louca.

Parte 1.

Sabia que a má fama da maconha um dia pertenceu a outra planta, de origem azteca, chamada xtomatle?

Descoberta no século 14, o xtomatle era uma frutinha silvestre linda, redondinha e brilhante, venenosa dizia-se, que dava aos montes e que desde sempre era utilizadas de modo ornamental, tanto por pobres quanto ricos.

Um dia um certo cozinheiro, deslumbrado pela beleza apetitosa das tais bolotas rubras, resolveu arriscar. Não ele propriamente, mas uma cobaia bastante especial: a filha do seu patrão. Sem dizer nada, convidou a moça para degustar uma "receita nova" - e ela gostou tanto, e se lambuzou toda, e pediu mais e mais... e acabaram trepando ali mesmo.

Ela viciou. Ele adorou. Definiram então um código: todos os dias ela apareceria bem discreta na porta da cozinha, colocaria o dedo indicador na frente da boca e pronunciaria esse som: xxxxx..... (de xtomatles). Código ouvido, código decifrado, ele então arrancava as próprias roupas, esfregava os xtomatles no corpo todo e ela...

Não tardou para que uma barriguinha estranha a uma virgem começasse a despontar. "Questionada" sobre o autor da safadeza, ela confessou à família: foi o xtomatle!!!

Como era praxe entre os aztecas, ambos acabaram na fogueira (ou no caldeirão, sei lá). Ele porque a drogava com frequência, ela porque trazia o demônio vermelho no ventre.

Desde então, em todos os casos extra-conjugais aztecas a culpa era sempre do xtomatle, maldito psicotrópico afrodisíaco que não tardou para ganhar a Europa. Culpa agora dos espanhóis que o levaram e o-proibiram, tanto quanto o-plantaram, o-colheram e espalharam suas sementes por todo continente. Não só as sementes do xtomatle mas também as suas próprias, bem como os efeitos colaterais. E frontais. Todos eles.

Na França, proibidíssimo, o xtomatle foi batizado de "pomme d'amour". Na Alemanha, "apfell's eiden". O mesmo ocorreu na Inglaterra e nos Estados Unidos. Até que em 1755, o respeitado jornalista americano aí ao lado (que também era editor, autor, maçom, filantropo, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, calvinista, iluminista, líder da revolução americana, membro da Royal Society, ministro dos correios, inventor do pára-raio e, pela pança, um bom garfo!) Benjamin Franklin defendeu o xtomatle no Congresso, e conseguiu finalmente a cessão do direito de cultivo desse fruto tão diabólico aos agricultores norte-americanos. Fruto esse que nos 4 séculos anteriores levou milhares de metelões à morte e que hoje é conhecido apenas por TOMATE.

E a maconha? Aí entra a segunda parte da nossa história. A maconha é o nosso xtomatle. E a sua história, uma grande salada, vê só:
Parte 2.
Desde 8.000 a.C até 1930 - período de quase 10 mil anos, portanto - a maconha não era maconha, era cannabis. Tampouco era proibida. Era remédio, era fibra, era matéria-prima de roupas, sacos, cordas, velas de embarcações, cêra, chá, especiaria, cola, sapato e fumo. Citada no velho testamento num dos trechos mais significativos e memoráveis, quando Moisés, prestes a receber as tábuas da lei e desconfiado de suas próprias convicções, "viu um arbusto de cânhamo arder sem queimar, e ali revelou-se a presença divina". Cânhamo? Prazer, cannabis.

Até o Napoleão! Manja a guerra qNegritoue ele fez contra a Rússia, em 1812? Foi para que os russos deixassem de vender cannabis aos ingleses, inimigos da França. Já do outro lado, muitos juram de pés (de maconha?) juntos que o russo Tchaikowsky, ao compor a Overture 1812 - composição filarmônica que narra a guerra de 1812 através de sinos, oboés, canhões, tímpanis, naipes de cordas, metais e o cacete... - arrancava cada nota de sua mente após um longo e saboroso "tapa".

1907. Aproximava-se o fim de um período histórico global que ficou conhecido como "revolução industrial". Faltava papel e tecido no mercado, tamanha a demanda. Foi quando o governo americano anunciou investimentos maciços na busca por uma nova tecnologia para a produção em larga escala desses produtos feitos de cânhamo. Isso porque 1 acre de cânhamo era capaz de produzir o mesmo que 4,1 acres de árvores desmatadas.

(Já pensou, os EUA um país "sustentável" graças à cannabis???)

Finalmente em 1916, o depto de agricultura dos EUA declarou dominar a tecnologia que faria da cannabis o principal produto agrícola dos EUA.

Calças Levi-Strauss - um dos milhares de produtos americanos feitos à base de fibra de cânhamo.

Pouco mais de uma década após o anúncio, empresas como a Hearst Paper Manufacturing Division, a Kimberly Clarke, a DuPont e todas as demais companhias têxteis, de madeira, plástico, papel e até mesmo explosivos, calculavam perdas na ordem de bilhões de dólares - números jamais ditos antes. Formaram então o mais poderoso lobby que se tem notícia, liderado pelo jornalista e multimilionário William Randolph Hearst, o rei da mídia. Todos contra esse arbusto de poucas exigências e infinitas utilidades; um concorrente desleal que tudo produzia com alta durabilidade e baixíssimo custo. E qual foi a idéia deles contra a cannabis?
Promover o preconceito racial.

A idéia partiu do próprio Hearst, que odiava os mexicanos tanto quanto os negros. E por que? Porque os mexicanos, liderados pelo guerrilheiro Pancho Villa, conseguiram pegar de volta os 800 mil acres de terra que Hearst havia lhes roubado na fronteira.


A partir de então, passaram a chamar a cannabis, ou HEMP, de "marijuana" - um modo de associá-la direta e pejorativamente aos mexicanos. Era a marijuana a responsável por deixar os cidadãos do país vizinho tão preguiçosos, estúpidos, perigosos e inúteis. Diziam, através de anúncios nos jornais de Hearst: "Não seja como os chicanos. Não consuma produtos de marijuana, essa erva diabólica que abestalha, inutiliza e consome o homem. Olhe para o país vizinho, a origem de todo esse mal, e pense: é um chicano o que você quer ser?"

Apesar dos relatórios oficiais da Inglaterra e EUA, desde o início do séc.XX conclusivos no fato de que "o uso de cannabis traz menos danos à saúde que o cigarro e a bebida", Hearst seguia com a força de seus jornais e magazines, espalhando propaganda anti-cannabis e também seu ódio duplamente racista, através de manchetes escandalosamente falsas sobre crimes hediondos, como "pretos chapados de maconha estupram mulheres brancas em rituais de vudú" . Rituais de vudú? Jazz.



1937. Projeto de lei americano torna a marijuana ilegal. Isso mesmo, a marijuana, e não a cannabis, o cânhamo ou a HEMP.

(Não é estranho verificar que uma lei faça uso da gíria e não do verdadeiro nome da planta para declarar sua proibição? É que HEMP, cânhamo ou cannabis eram nomes que os americanos associavam àquela planta de mil utilidades. Já a marijuana era o demônio verde. Esse foi, portanto, o modo encontrado para que o povo, racista em sua essência, associasse a planta a algo extremamente nocivo, e não mais positivo e importante como era).

Logo após sua proibição, os EUA lançaram uma campanha mundial que acabou por proibir o cultivo da planta em grande parte dos países "civilizados". Proibição que dura até os dias atuais.

1939. Registros da DuPont - que acabara de patentear o nylon e outros processos de produção de plástico a partir de petróleo e a produção do papel a partir da madeira - relatam que "80% dos negócios da empresa não seriam possíveis caso a proibição da marijuana não tivesse ocorrido".

O que Hearst jamais escreveu em seus jornais é que a própria Declaração de Independência dos EUA foi escrita em papel de fibra do cânhamo.


À propósito, sabia que o nome "maconha" foi registrado no Brasil na década de 60 pela Souza Cruz?
Mais curiosidades.

Charles Foster Kane, o personagem central de Citizen Kane, obra-prima de Orson Welles e considerado até hoje o melhor filme de todos os tempos, foi "baseado" na vida e personalidade de William Randolph Hearst. E Rosebud, a palavra que leva o mistério do filme de ponta a ponta, estava prevista originalmente para ser... hump!



Em homenagem a esse mestre do cinema, alguns plantadores de hemp na Holanda resolveram batizar uma das espécies mais fortes de skunk (cannabis índica) de rosebud. Eis um filhotinho. Não é lindo?



E o bagulho da lata, já ouviu falar? Sabe de onde veio?


14 de setembro de 1987 - o navio Solana Star, de bandeira panamenha, flutuava tranquilamente a 100 milhas da costa do Rio de Janeiro, quando seus tripulantes foram avisados que a DEA (Drug Enforcement Administration) e a PF já tinham conhecimento do carregamento de 31,75 toneladas de cannabis indica - gênero mais forte da cannabis. Para evitar o flagrante, despejaram todo conteúdo (pouco menos de 22 mil latas de 1,5 kg cada) em alto mar e as correntes marinhas se encarregaram de fazer a entrega, levando alegria a quem tomava um sol e/ou fumava unzinho nas areias da Enseada, Macumba, Mole, Toninhas, Sahy, Marecas e todas as demais praias entre Santa Catarina e o Espírito Santo. Ô saudade...

Bom, é isso. Agora só nos resta aguardar. Que um novo Benjamin Franklin consiga a legalização desse nosso xtomatles verde, ou então, que um novo solana star apareça com algo ainda melhor e de graça! Enquanto isso, façamos buchas!

E nada de drogas, ãhn!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

THE RESPONSIBLES

Agora que uóbama e sua pussycat doll viraram presidente e primeira-dama dos IUK (iésuíkén!), chegou a hora de lembrar quem foram os responsáveis por essa eleição histórica.

Foram eles, the mortgages, os mortos-gagos que levaram do bushit 100 bilhões dedólar cada, mas ainda assim elegeram uóbama. Isso sim é sonho americano.
Congratulations, Mrs. Mae and Mr.Mac! And Fócsi America!!!

Fanny Mae & Freddie Mac. Congratulations!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

OHANA E EU. VESTIDOS COMO VIEMOS AO MUNDO

Por favor não desperdicem seus gametas em nós, ok?

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

HALLOWEEN - de Rose di Primo a Clarice Lispector.

Ontem fui na Otorrino. Puta dor no ouvido, na orelha, maxilar e o cacete. O dentista, antes, falava que a dor era da minha mordedura, mordida de pitbull, bruxismo, mas não, a otorrino descobriu, é uma bolha de sangue no tímpano. Aposto que de tanto ouvir notícia.

Bom, enquanto esperava minha vez de ser atendido pela doutora, peguei uma revista e nela, a matéria que me leva a escrever esse post:
POR ONDE ANDA ROSE DI PRIMO?

Lembra dessa pelada? Por onde mesmo andaria a carioca mais glostlig do Brasil dos anos 70? Será que ainda andando pelada por aí? Será que ainda com aquele olhar... sapequinha?

Aí lendo, fiquei sabendo de coisas absurdas. Coisas do Rio de Janeiro. Coisas do Brasil.

1. Descoberta nas areias de Ipanema, Rose começou a carreira posando pra capa da revista manchete. Essa aqui:




2. No mesmo ano já era a modelo mais cara do Brasil, posto que manteve pela década inteira. Só como referência, seu cachê era 3 x maior que o da Sandra Bréa, na época, estrela global.
3. Rose ficava na praia fumando maconha o dia inteiro. Ali era o seu escritório. Quando queriam contratá-la, iam lá, e quase sempre faziam o ensaio lá mesmo.
4. Quando tinha de ir a um estúdio, ela mesma se maquiava. No carro. É que os maquiadores demoravam muito para fazer o que ela fazia em 5 mins, e se o sol baixasse... não teria mais praia nem foto.

5. Perdeu a virgindade aos 15 com um primo, Moryel Moriscotte de Mattos. Soa familiar?
6. O Sgto. Moriscotte ficou famoso no mundo inteiro como o policial carioca justiceiro, carniceiro e corrupto que matava bandidos, traficantes e estupradores com extrema crueldade: esvaziava pentes de bala em segundos, jogava ácido na cara, furava o corpo com brasa, envenenava, degolava e depois pendurava o resto com um bilhetinho sarcástico - e assinado.
Chefe e fundador do Esquadrão da Morte, inspirou o filme "eu matei Lúcio Flavio" - versão setentista do atual e badalado tropa de elite.

7. Mas voltando à Rose. No auge da carreira, diz ela que uma noite, saindo da balada e sem a chave de casa, para não acordar a mãe, pediu a um amigo para dormir na casa dele. Foi acordada pela polícia. Um dos rapazes que por ali também esteve naquela noite tomou pico e se atirou da janela do banheiro. Ela, que só dormiu e nem sabia que ali havia rolado uma festa, claro, até hoje não lembra de nada.

8. Depois desse evento, entrou em deprê. Quando ligavam pra Rose, ela indicava para o trabalho uma outra morena que era a sua cara. Luíza Brunet.

9. Os trampos minguaram. Em sua nona revista pelada, não tinha mais grana nem pra pegar um ônibus.

10. Virou evangélica. No culto conheceu um espanhol ex-drogado. Na ocasião, apenas milionário. 20 anos mais novo que ela. Foram pra Espanha e estão lá até hoje. Fim.
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Rose di Primo. Ou... Rose deu P.Primo. Nossa bruxinha do dia.
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E aproveitando a data, feliz halloween pra você que também não pára (e até gosta) de ler e assistir e ouvir notícias sanguinolentas. Uma ótima bolha no tímpano pra você e tudebom. Tchau.
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Tchau nada. Aproveitando a história da Rose, resolvi incluir nesse post um texto da Clarice Lispector, essa sim maravilhosa, linda (mas com um quê de halloween...) sobre a morte do Mineirinho, bandido que após roubar 800 cruzeiros de uma senhorinha, acabou morto com 13 tiros pelo Moriscotte. Quer dizer, morreu no primeiro, que foi na cabeça. Os outros 12 foram só "um recado" pros outros mineirinhos.
Só para constar, a opinião pública adorava o Moryscotte, tratavam-no como herói. Portanto, o texto da Clarice foi uma afronta aos padrões e à opinião geral daquela época. Mas isso de usar sua inteligência soberba para ir contra a opinião pública, a Clarice fazia muito bem. Por isso sua obra continua atual e irretocável. Diferente da Rose.
O conto foi editado. É um crime fazer isso com a Clarice, mas acharam muito comprido para um blog.

"É, suponho que é em mim (...) que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. (...)E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. (...) há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina - porquê eu sou o outro. (...) Enquanto isso durmo e falsamente me salvo (...) até que treze tiros nos acordem (...). Meu erro é o meu espelho, onde vejo o que em silêncio eu fiz de um homem. (...) Como não amá-lo, se ele viveu até o décimo terceiro tiro o que eu dormia? (...) Mineirinho viveu por mim a raiva, enquanto eu tive calma. (...). Se eu não fosse doido, eu seria oitocentos policiais com oitocentas metralhadoras, e esta seria a minha honorabilidade. Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. (...) que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular (...). Na hora de matar um criminoso - nesse instante está sendo morto um inocente. (...) ".


terça-feira, 28 de outubro de 2008

DEUSECOME-SE

Em um mês, o barril do pretóleo despencou de US$ 115 para US$ 63. Diz um amigo meu que até novembro ele estará abaixo dos US$ 50.

O que isso significa?

Lei da oferta e procura. As indústrias estão parando de produzir. E sem produção, olho da rua. E sem empregos, nada de salários. Ninguém compra ninguém vende. Ninguém trabalha.

Essa teoria do "sem produto sem emprego sem salário sem consumo" não é nova. Ela apenas estava prevista lá pro ano de 2150, quando nenhum de nós estaria aqui pra assistir.

Belê, pensávamos todos. Fócsi!

Mas cá estamos, juntos de mãos dadas, assistindo do camarote vip desse transatlântico-pacífico-índico-negro-báltico-vermelho-mediterrâneo e furado.

Como dizia nos anos 80 o gênio da pseudo-economia mundial e papa da arte underground paulistana, John Howard...

DEUSECOME-SE

Com o barril nesse patamar, a Urssia vai ter de apertar o cinto. Mas e o lucro da venda de armas?

A venezuela, fudida, vai enfim obedecer ao "cala-te" do príncipe das astúrias.

O Irã, quebrado, ainda vai tentar sua bomba de fins pacíficos. Até ouvir um bum e não ouvir mais nada.

Os Unidos Venceremos da América vão continuar no Castelo da Cinderela. Que em breve será da Ariel.

E o Brasil? Aqui é cultural. Mesmo sem um puto mas torrando no cartão. Até gastar a tarja.

Quer saber? Tô achando mesmo é que essa crise veio para nos salvar. A crise é o mashiach*.


*mashiach - messias

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

DO SIDNEY MAGAL À LEYA BRANDER

Logo após o porre no casamento dos meus primos Dany e Vivi, com direito à banda do peixe, pocket-show do Sidney Magal e o cacete... fomos ainda bêbados, a Fê e eu, os primeiros a entrar na Bienal das Artes de São Paulo.

A gente adora a bienal. Arte nova, do lado de casa, de graça... e bêbados então!

PRIMEIRO ANDAR:
alguns daqueles filmes incríveis ou nada incríveis. Pra mim tudo é referência e eu adoraria ficar ali sentado, assistindo. Mas fica uma sensação de que há uma bienal inteira pela frente e não somente os filmes. E sendo assim, só demos uma passada e seguimos em frente.

dica: Marina Abramovic e seu parceiro Ulay numa frequência de choque contra dois pilares. Um trabalho performático feito na década de 60, angustiante, exaustivo, mas que não dá para arredar o pé enquanto não acaba.


Tem também um video de uma banda tosca de gente chapada tocando um som meio sex pistols para um público tosco, escasso e chapado. Bem divertido. Só não entendo como esse foi selecionado para a bienal. Recomendo os dois pra começar a caminhada.




Na sequência, o chaveiro talisman, onde um sujeito faz uma cópia de uma chave sua e em troca, te dá uma chave que abre a bienal em horários alternativos, deixando claro que se trata de uma relação de confiança e que ESSA CONFIANÇA É BEM RESTRITA, com acesso somente ao primeiro andar. A chave é linda e eu fiz a minha. Adorei a idéia. Portanto, não esqueça de levar uma chave no bolso. Chave de carro não vale.

Num extremo do andar, uma prensa gráfica vai soltando a "Enciclopédia do Mundo Explicado" - um conjunto de páginas soltas e sem ordem determinada, com textos sobre assuntos aleatórios e, pelos poucos que li, sensacionais.

Curiosidade do primeiro andar:
Na lateral existe uma loja de livros de arte e afins, e como quase toda loja, essa também tem uma vitrine. Imensa. E nessa vitrine colocaram um livro em destaque, cuja capa... um close de uma cuequinha branca num sujeito de pernocas magricelas, mas dono de um wurszt também imenso. Parece uma enguia. Consequência: havia sempre um bololô de gente pra babar no linguiçâmes. A maioria mulheres. Em grande parte feias e velhas. Mas também tinha as gatinhas e os emos, que não conseguiam fechar a boca diante da calabresa. Surpresa? Susto? Comédia? Desejo? Sei lá. Só sei que aquela capa chama mais atenção que muita obra exposta. A foto é até bacana. Mas seu público é, definitivamente, o mais bizarro.

SEGUNDO ANDAR:
Essa história da Bienal do Vazio... pra quem nunca se deu o trabalho de reparar na beleza daquela arquitetura, vale o passeio por essa laje.

(acabo de saber que a turma de marias-pixadeiras do já quase famoso Augustaitiz - ou seja, a trupezinha suja que marcou a ECA-USP e a Choque Cultural com seus rabiscos - após a nossa saída pixou também esse segundo andar. Eu, que também sou grafiteiro, entendo a vontade que dá na galera underground de deixar sua marca e trabalho naquelas paredes incrivelmente brancas, no meio de tanta arte estranha, mesmo sem ser convidado. Até porque qualquer tosqueira ali pode provocar uma revolução na carreira artistica de qualquer um. Mas "pixo" não tem a menor chance. Se os caras escrevessem algo bacana, aposto que daria certo. Mas escrever nome de gangue... tá com nada.)

Aí aquele Bertazzo, coreógrafo e professor de auto-conhecimento corporal, estava lá gravando para o fantástico, e nos convidou para participar da aula. E lá fui eu e a Fê brincar de marchar pelo andar, cantando êôuê, êôuê... e puxando elásticos enrolados nas pilastras em posição de arco e flecha. E aprendendo a encaixar a bacia. E a usar os dedões dos pés para melhorar a postura. Muito legal, o cara é ótimo, divertido, gente boníssima. Aí fiquei sabendo que, no meio da gravação, o câmera paquerou minha mulher. Mas ela é linda mesmo, então, não insistindo nem passando bilhetinho com telefone, ok, pode admirar. Porque ela é maravilhosa. E querida. Talvez por isso tantos a-odeiam. E odeiam meeeeeesmo! Porque ela é uma pintura. Uma escultura. Uma poesia. Uma obra de arte viva. Uma gata. Uma delícia. E além disso tudo, uma mulher que escolheu ao invés de ser escolhida. Nesse caso, o escolhido fui eu... slup!

TERCEIRO ANDAR
Começo falando do tobogã... outra delícia. Divertidíssimo descer 3 andares assim, em curvas transparentes em pleno Ibira. A Fê desceu gritando meu nome e eu adorei.

Ao lado do tobogã, uma parede com fotos de retratos clássicos pintados pelo Da Vinci, Renoir, Lautrec, Picasso, Gogh, todos eles. Só que as fotos dos retratos - de personagens e situações estranhíssimos - incluem também as molduras e isso forma um conjunto bastante interessante. Enfim, não acho taaaaanto assim que seja arte, mas é bonito. Pra mim parece mais uma coisa de arquitetura de interiores.

Tem também uma parede inteira de quadros brancos com frases repetidas feitas com palavras recortadas de papéis escritos com máquina de escrever. Tudo em francês, frases incríveis... mas a opinião é a mesma: lindo, glamouroso, mas está mais para decorador e menos para artista.

O meio do andar é tomado por centenas de quadrinhos com imagens bem bestas. O tipo da coisa que dá a má fama à bienal. Não pagaria um centavo naquilo. Mas é apenas a opinião desse ignorantão aqui. De repente aquilo é o must e eu não tenho a capacidade...

Em compensação, logo ao lado, uma video instalação incrível. São várias tvs alinhadas e todas mostrando o rosto de uma mesma artista em close, em momentos diferentes de sua carreira. Em uma tv ela aparece devorando uma cebola crua, na outra, penteando-se como uma louca, depois fazendo carinha sexy, depois lavando uma caveira com um escovão, depois descansando abraçada a um esqueleto... depois sendo quase esmagada por cobras malucas, depois deitada na praia... depois e depois... trabalho insano e incrível. E quem é a doida? Outra vez, Marina Abramovic. Sensacional.

"art must be beautiful, artist must be beautiful". Não perca também o "The Onion".




Mas a melhor série de todas, de uma pessoa que eu jamais havia sido apresentado e agora não sei como vivi sem até hoje, uma artista chamada Leya Mira Brander. São desenhos absurdos - corações, músculos, rostos, pessoas, peixes - adornados por frases incríveis... não sei explicar. Emoção pura. Gravuras pouco maiores que um guardanapo, mas de uma profundidade abissal. E ainda assim, iluminadas. Eu ficaria horas lendo, observando, admirando, invejando o talento, desejando ter um daqueles na minha casa. E mesmo que valesse milhões e eu estivesse pobre de tudo, não abriria mão. Morreria abraçado àquilo.



"aprendi a desenhar pra poder morar contigo" - Leya Mira Brander/2005 (obs- essa instalação ñ está na bienal)

Depois disso, aí sim, sentimos o cansaço. Minha cabeça e minhas pernas já não aguentavam mais. A Fê se arrastando ao meu lado. Lembrei que estávamos no pós-breaca, que a zonazul tinha vencido, que poucas horas antes eu dava vexame com meu copo de uisq, dançando com ela santa rosa madalena, ava naguila e blues brothers até as tantas... e que ainda tinha de votar em branco, pegar a filhota na casa da sogra, ir ao clube, copiar alguns dvds antes de devolver na locadora, quem sabe nos ver no fantástico...

...não, isso não. Deixa pros outros.


Só sei que ainda não sei como jamais havia ouvido falar na Leya Brander.

Pergunta 1:
quando é que os curadores vão lembrar desse outro gênio brasileiro chamado Luiz Sôlha?

Pergunta 2: quem foi que fez aqueles banquinhos meio Escher espalhados por toda bienal ? Se vendesse na lojinha do Mam, ou então na do livro da cueca assalamada...