Acaba de sair a lista de artistas para a próxima Bienal de São Paulo. Entre os escolhidos, Alice Miceli, a vencedora do prêmio Sérgio Motta de artes plásticas com um projeto brilhante - Chernobyl Project - que se utilizava de câmeras fotográficas Pin-Hole feitas de chumbo e totalmente blindadas a entrada de luz. Dentro delas, chapas radiográficas (as famosas "raio-x").
O que a Alice fez foi posicionar suas caixas de chumbo a frente dos tambores de lixo atômico encontrados pelas ruas de Pripyat, cidade ucraniana devastada pelo desastre nuclear de Chernobyl. O resultado, imagens da devastação registradas pela energia invisível e destruidora que ainda habita a região.
Será que é isso que ela vai trazer pra gente? Mais forte, impossível.
Recebi anteontem da OMS a missão de criar um concurso cultural urgente, patrocinado pelos governos dos EUA, Méhico, Israel e Emirados Árabes. A peça desenvolvida consistia em incentivar o envio por SMS (teclando H1N1 ao custo de R$1,40) ou email, um novo nome para a gripe suína. Como prêmios, viagens aos respectivos países, máscaras, remédios e muito mais.
Nem preciso dizer que a promoção ganhou proporções jamais imaginadas e eu, agora, sou dado como especialista no assunto.
Segue a entrevista concedida hoje pela manhã a um importante veículo de comunicação de massa:
JD - COMO SURGIU A IDÉIA DA PROMOÇÃO? GL - Funcionários da OMS e do governo norte-americano nos chamaram e disseram que gostariam de abandonar o termo "gripe suína" por entender que ele está confundindo as pessoas, fazendo com que acreditem que a doença possa ser adquirida pelo consumo de carne de porco, o que é incorreto.
JD - MAS HÁ UMA FORMA MELHOR DE DESCREVER A DOENÇA SEM LEVAR AS PESSOAS A TOMAREM INICIATIVAS INCORRETAS? GL - Sem dúvida. As milhares de respostas criativas que recebemos em um único dia são prova disso.
JD- O SENHOR PODERIA CITAR UM EXEMPLO? GL - Uma que gostamos muito foi "Gripe Asteca". É sutil, pois remete às raízes dos mehicanos, ao par que também lembra bisteca. Parabéns a todos. JD - OS CIENTISTAS JÁ DESCOBRIRAM QUE A GRIPE É DE UMA CEPA NUNCA VISTA ANTES, UMA MISTURA DOS VÍRUS SUÍNO, HUMANO E AVIÁRIO, É VERDADE? GL - é o que tudo indica até o momento, deve ter sido uma festa e tanto. Mas não posso fornecer mais detalhes, me desculpe. JD - OS GOVERNO DO ORIENTE MÉDIO TAMBÉM ESTÃO RECLAMANDO BASTANTE, DIZENDO QUE ESSA DOENÇA É UMA OFENSA À SENSIBILIDADE DE JUDEUS E MUÇULMANOS. SUGERIRAM INCLUSIVE QUE A DOENÇA PASSE A CHAMAR "GRIPE MEXICANA". COMO JUDEU, O QUE O SENHOR TEM A DIZER? GL - Verdade, eles fazem parte do pool que contratou nossa empresa. Imagine um rabino ou um mulá contaminados pelo vírus do porco. Não é kosher, eles tem razão. O problema é que se, por outro lado, chamarmos a doença de "gripe mexicana", a mesma rejeição ocorrerá por parte dos americanos. E ainda, se batizarmos de "gripe americana" ou "gripe yankee", todos os árabes vão querer pegar a doença e morrer como mártires e aí a contaminação fugirá por completo do nosso controle. É uma situação delicada, daí a importância do nosso concurso. Quanto à segunda parte da pergunta, como judeu só me ocorre dizer uma coisa: shalom!
JD - O DEPTO DE SEGURANÇA INTERNA AMERICANO SUGERIU CHAMAR A GRIPE PELO NOME CIENTÍFICO, "SURTO DE GRIPE H1N1". O QUE O SENHOR ACHA DISSO? GL - H1N1??? Vão ler Hini, que lembra rim, rinite... até rino, que remete a rinoceronte. É um erro grave. Nomes científicos só servem para confundir a população. Ainda mais sob essa influenza de h4ck3rs, com letras e números juntos. Verdadeiros cocôs.
JD - ESTAMOS DIANTE DE UMA PANDEMIA? NÓS VAMOS MORRER? GL - Pandemia eu não diria. Eu diria pindemia. Com pin. Ou enpindemia, como todos chamam. Quanto a morrer, sim, eu acho que talvez já possamos afirmar com 100% de certeza que todos nós em breve iremos morrer. Bom dia.
E aí? Mandei bem? Mande sua opinião, além da sugestão de nome para a gripe suína por SMS (digite H1N1) ou por email. Participe da promoção, prêmios incríveis! Viagens, máscaras e tamiflus aos primeiros colocados.
Já que linguiças não transmitem gripe suína, vamos à notícia que nos afeta:
FIO DENTAL SE TORNA OBRIGATÓRIO NAS PRAIAS DE SANTOS.
Calma, vó. Pode desatolar a fralda. A lei que acaba de ser sancionada apenas obriga restaurantes e lanchonetes a disponibilizarem um dispenser do dito cujo nos banheiros.
Segundo o vereador que teve a idéia, palitos são anti-higiênicos pois, manuseados por funcionários e clientes, facilitam a proliferação das bactérias causadoras de endocardite e periodontite. Deveriam ser usados somente para pegar azeitonas e não para cutucar a genja.
Discordo. Palitos servem para mileoutras coisas. Eu mesmo já cansei de ganhar cerveja com eles.
1. equilibrando 2 palitos (um sobre o outro) na boca de uma garrafa + 2 garfos sobre os palitos. E balançando a mesa (vou publicar uma foto, aguardem);
2. prestando a minha homenagem particular ao avião tucano da FAB. Um truque simples, que consiste em girar um palito na ponta do nariz com um leve sopro tangencial projetado pelo lábio inferior. Até minha filha de 4 anos sabe fazer. Aprendeu com o pai a beber de graça, hein! (vou publicar o video também, aguardem);
Ok, palitos são escrotos às vezes. Eu mesmo já arranquei bifes de meses atrás das minhas panelas. No entanto, quantas vezes também pude demonstrar meu respeito à natureza e ao dono do bar, colocando os palitos de volta após o uso? Às vezes foi só uma limpadinha de unha. Se todos pensassem assim, o mundo seria mais solidário e mais verde. Um lugar melhor com certeza.
Agora, cá entre nós, tem coisa mais feia que assistir alguém colhendo couve por entre os molares? E as gatinhas que colocam a mão à frente do palitâmes? Tréz-chickens, costuma dizer um amigo boqueteiro. Botequeiro, aliás.
Só sei que na hora da fome, nada mal descobrir que a solução muitas vezes está mais perto do que você imagina. Bem ali na sua boca. Ou vai dizer que nunca comeu umsuculento Teeth-Bone na vida?!
Eu adoro.
Obs - Fiscais santistas, sejam bem-vindos ao Grandslanches. Nosso dispenser já está à disposição. Fica junto ao mictório. Sirvam-se.
Para se dar bem na vida, ou você é um talento ou trabalha pra cacete.
Michael Phelps e Usain Bolt são bons exemplos: dois talentos que trabalham pra cacete.
Eles nos devem desculpas. Eles fumam maconha.
Michael Phelps come 15 ovos, 2 kg de macarrão e 2 pizzas inteiras. Todos os dias.
Usain Bolt come 6 kg de carne suína, 10 ovos, 20 batatas e 1 bolo de creme. Todos os dias.
Eles devem desculpas por isso?
Eles podem. Eles queimam tudo. Mas queimar, eles não podem.
Ninguém vai comer tanto para seguir o exemplo. Mas fumar depois de vê-los fumar, todos nós vamos. Claro.
Obesidade é hoje a maior causa de morte nos Estados Unidos.
Mais que a violência. Mais que todas as drogas juntas.
Todo filme americano tem café da manhã regado a bacon frito. Isso pode.
Pedido de desculpas... nem ao porco.
Na Jamaica, maconha é religião. Usain Bolt é jamaicano. Usain diz: "na Jamaica, maconha é religião". Qualquer jamaicano pode. Marley pode. Usain nao pode. Usain é exemplo.
Dois talentos raros. Dois trabalhadores. Dois vencedores. Dois exemplos. Dois coitados.
O primeiro, que nem está no ar ainda, é da Grey London para a organizaçao Women's Aid - com Keira Knightley e direção de Joe Wright (o mesmo de "Desejo e Reparação"). Visto no Bluebus.
(tradução: Já não está na hora de alguém gritar "Corta" ? )
O segundo já é mais conhecido. Mas sempre é bom lembrar.Crianças vêem, crianças fazem.
Preconceito, abuso de força, violência. Mas o mais triste é saber que se alguém fosse capaz de inventar algo pior, não faltariam adeptos.
Você certamente já ouviu falar a respeito daquele "melhor emprego do mundo" - ser o zelador de uma ilha deserta paradisíaca por 6 meses, alimentando baleias, escrevendo um blog e publicando fotos na internet, com direito a casa e buggy, por um salário de US$ 150 mil.
Delícia, né!
Essa é a Clare Wang, a primeira finalista. Divertida, simpática, bonitinha.
Mas não estranhe se no blog ela escrever apenas "all work and no play makes clare a dull girl"
terça-feira, 24 de março de 2009
URBAN CAMOUFLAGE AGAINST CRIME
Pro ladrão é só um jornal dobrado. Pra você, uma bolsinha cool!
Bom, já que o grandslanches está de volta... mais um video lindo. Maravilhoso. Pra fechar a sexta feliz, em paz, com esperanças de uma semana melhor. Até segunda.
Ah! Esse video eu também "furtei" do blog da agência Fala! (www.agenciafala.com.br) Valeu, Augusto.
Stakeholder não precisa de cardiologista. Stakeholder tira um eletro a cada 15 minutos no site da bovespa. Ou será que só eu andando por lá me matando aos poucos?
Na língua dos suruwaha, tribo intocada da Amazônia, Hakani significa "sorriso".
Nascida em 1995, filha de uma índia Suruwaha, nos primeiros dois anos de vida Hakani não se desenvolveu como as outras crianças – não aprendeu a andar nem falar. O cacique então começou a pressionar os pais para matá-la. Incapazes, preferiram o suicídio, deixando ela e seus 4 irmãos órfãos. A responsabilidade de sacrificar Hakani passou então para o irmão mais velho, que a-enterrou viva, conforme a tradição, numa cova rasa. O choro abafado de Hakani podia ser ouvido enquanto ela sufocava debaixo da terra.
Em muitos casos, esse choro dura horas até cair finalmente em silêncio profundo, mas para Hakani, esse silêncio nunca chegou. Alguém ouviu seu choro, arrancou-a da cova e colocou nas mãos de seu avô, que por sua vez levou-a para sua rede. Mas, como membro mais velho da família, ele sabia muito bem o que a tradição esperava dele.
O avô de Hakani tomou seu arco e flecha e apontou para ela. A flechada errou o coração, mas perfurou seu ombro. Tomado por culpa e remorso, atentou contra a própria vida, ingerindo uma porção do venenoso timbó. Hakani sobreviveu.
Tinha apenas dois anos e meio de idade, mas vivia como uma amaldiçoada. E sobreviveu bebendo água de chuva, mascando cascas de árvore, folhas, insetos e, ocasionalmente, algum resto de comida que seu irmão trazia. Até que, aos 5 anos, pesando 7 quilos e medindo 69 centímetros, um de seus irmãos a-levou até a casa de um casal de missionários.
Seis meses depois, Hakani já andava e falava. Mais 6 meses e seu peso e altura simplesmente dobraram. Hoje Hakani tem 12 anos.
A história de Hakani tornou-se um documentário. Logo abaixo, o trailer. Não assista se você é daquelas pessoas que passam mal. As cenas são fortes.
Mesmo sendo um documentário, as cenas dos "enterros" não são reais. São simulações feitas com bolo de chocolate esfarelado. No entanto, todos os índios do casting são sobreviventes desses rituais, ou então salvadores que correram o risco de morte para salvar seus irmãos, filhos, netos ou primos.
Se quiser saber mais ou fazer algo, acesse www.hakani.org
Resolvi deixar uma última dica ou referência aos que gostam de arte nova: a obra genial de um grafiteiro que assina "blu" e que na minha opinião consegue manter sua frequência no topo e assim, ser tão brilhante quanto o Banksy.
Ele faz seus grafittis em muros (espalhados por todo o planeta), apaga, refaz, fotografa a sequência e edita, transformando seus painéis em animação. Genial. Para conhecer outros trabalhos desse cara, a página dele é: www.blublu.org
Em meio à comoção provocada pelas enchentes de Santa Catarina e após o escândalo de que soldados e "voluntários" estavam furtando o que encontravam de melhor entre as doações, um agricultor de Santa Catarina que teve a casa devastada pelas águas encontrou - e devolveu - 20 mil reais que estavam no bolso de um casaco de pele doado na semana anterior.
Já a pele não foi possível devolver ao dono original.
O natal chegando, uma tragédia entre nós, as tvs, rádios e o público sedentos por sangue. Cenário perfeito.
Aí, por mais de uma semana, o jornal nacional e os demais deixam de lado a crise mundial e passam a dedicar todo seu esforço ao caos catarinense, pedindo doações e mostrando "a generosidade do povo brasileiro, tão pobre e tão solidário".
As emissoras mesmo nao doaram um caralho.
Então as celebridades começam a capitalizar. O tenista bondoso, milionário, visita bombeiros e vítimas. Não doa nem uma bolinha. Mas pede doações.
Aí a modelo famosa, milionária, diz que a família toda é de lá, os amigos. Ela aparece na TV falando ao telefone com a mãe. Choram juntas em rede nacional. A gata não doa nem uma calcinha borrada, mas pede doações.
Então vários atores e atrizes e apresentadores começam a fazer o mesmo, pois viram que dá certo, valoriza o passe. Pedem doações e o povo doa. De preferência na frente das câmeras.
Clubes (milionários) de futebol não doam nem uma bola furada, mas viram postos de arrecadação.
Empresas emprestam caminhões, já é alguma coisa. Mas pedem que os funcionários doem parte do salário mínimo, comida, roupa. Eles doam de coração, porque sentem a dor alheia na própria pele. Poderia ter sido o morro deles, a casa, a família deles.
Construtoras se mobilizam. Pedem que os funcionários doem roupas, papéis higiênicos, comidas prontas, parte do décimo terceiro. Mas elas mesmas não doam nem um tijolo.
E as escolas particulares... nem um toco de lápis. Mas capitalizam: entram na disputa de quem arrecada mais, publicam notas em suas newsletters e malas-diretas, aproveitam o chamariz e criam uma promoção: "faça aqui sua doação e ganhe um desconto na matrícula".
Pilotos de fórmula 1, milionários, doam seus capacetes para leilão, pois tem sempre alguém disposto a pagar por eles. Ainda é pouco. Então um deles abre a carteira. Doa 50 mil e promove com alguns colegas a "corrida das estrelas". E pilotam felizes, envoltos em carenagens abarrotadas de patrocinadores que pagam mais de 50mil para estar ali, associados à causa e aos campeões. Mas o que vai para os desabrigados é apenas o arrecadado junto ao público, que lota as arquibancadas e assiste ao festival de ultrapassadas e derrapadas e xingamentos entre os bons vivants bonzinhos que depois da festa ainda ganham troféus. Que lindo.
E os jogadores? Por mais ignorantes que sejam e serão sempre, esses são verdadeiros bloodhounds na arte de farejar oportunidades. Eles saíram da merda há pouco, sabem o que é a vida mísera e assim como o mootley, precisam fazer alguma coisa. Começam declarando a quem quiser ouvir e filmar que não custa nada ajudar. Verdade. Aí fazem um jogo beneficente. E patrocinado. E revêem os amigos, batem uma pelada, são aplaudidos e ainda correm o risco de ser nomeados embaixadores da unicef. Para a torcida tá ótimo: sai mais barato doar 1 lata de sardinha que pagar ingresso. E tudo pela nobre causa de estancar a dor alheia.
Aí o estado afogado começa a gritar:
"pára de doar! não tem mais onde guardar essas merda toda! Pára!!!"
A chuva continua. Uma lama grossa e rubra segue jorrando em nossas telas high definhetion. O brasil solidário e generoso quer sangue.
E por falar em sangue. Alguém lembrou de pedir? Alguém pensou em doar?